COMPREENSÃO QUE O SANTO TEVE DAS SAGRADAS ESCRITURAS E DO VALOR DE SUAS PALAVRAS


CAPÍTULO 68. Conhecimento e memória

102. Embora não tenha tido nenhum estudo, o santo aprendeu do alto a sabedoria que vem de Deus e, iluminado pelos fulgores da luz eterna, não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras. Sua inteligência purificada penetrava os segredos dos mistérios, e, onde ficava fora a ciência dos mestres, entrava seu afeto cheio de amor.

Lia os livros sagrados de quando em quando mas, o que punha uma vez na cabeça ficava gravado indelevelmente em seu coração. Sua memória supria os livros: não perdia o que tivesse ouvido uma única vez, pois ficava refletindo com amor em contínua devoção. Dizia que esse modo de aprender e de ler era muito vantajoso, e não o de ficar folheando milhares de tratados. Achava que filósofo verdadeiro era o que preferia mais a vida eterna do que todas as outras coisas. Afirmava que passaria facilmente do conhecimento de si mesmo para o conhecimento de Deus aquele que estudasse as Escrituras com humildade e sem presunção. Era frequente resolver oralmente as dúvidas de algumas questões, porque, embora não fosse culto nas palavras, destacava-se vantajosamente na inteligência e na virtude.