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102. Embora não tenha tido nenhum estudo, o santo aprendeu do
alto a sabedoria que vem de Deus e, iluminado pelos fulgores da luz
eterna, não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras. Sua
inteligência purificada penetrava os segredos dos mistérios, e, onde
ficava fora a ciência dos mestres, entrava seu afeto cheio de amor.
Lia os livros sagrados de quando em quando mas, o que punha uma vez na
cabeça ficava gravado indelevelmente em seu coração. Sua memória
supria os livros: não perdia o que tivesse ouvido uma única vez,
pois ficava refletindo com amor em contínua devoção. Dizia que esse
modo de aprender e de ler era muito vantajoso, e não o de ficar
folheando milhares de tratados. Achava que filósofo verdadeiro era o
que preferia mais a vida eterna do que todas as outras coisas.
Afirmava que passaria facilmente do conhecimento de si mesmo para o
conhecimento de Deus aquele que estudasse as Escrituras com humildade
e sem presunção. Era frequente resolver oralmente as dúvidas de
algumas questões, porque, embora não fosse culto nas palavras,
destacava-se vantajosamente na inteligência e na virtude.
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