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111. Já demonstramos, em outros lugares, como sua palavra teve
maravilhosa eficácia também com os animais. Mas vou contar um caso
que tenho à mão.
Numa noite em que o servo do Excelso se hospedou no mosteiro de São
Verecundo, da diocese de Gúbio, uma ovelha deu à luz um
cordeirinho. Mas havia ali uma porca muito brava, que não poupou a
vida do inocente e o matou com uma cruel mordida.
Quando os homens se levantaram pela manhã, viram o cordeirinho morto
e tiveram certeza de que a culpada dessa malvadeza era a porca. Quando
soube disso, o piedoso pai ficou muito comovido, lembrando-se de um
outro Cordeiro, e chorou o cordeirinho morto, dizendo diante de
todos: "Pobre irmão cordeirinho, animal inocente, que sempre nos
recordas uma coisa importante para os homens! Amaldiçoada seja a
cruel que te matou, e que nem homem nem animal comam de sua carne!"
Incrível! A porca malvada começou logo a ficar doente, passou
três dias de tormento e acabou morrendo por castigo. Foi jogada no
monturo do mosteiro, onde ficou por muito tempo, seca como uma
tábua, sem servir de alimento para nenhum esfomeado.
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