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112. Mandava evitar totalmente o mel venenoso que é a
familiaridade com as mulheres, que induzem ao erro até os homens
santos. Temia que, com isso, o fraco se quebrasse depressa e mesmo o
forte ficasse muitas vezes enfraquecido em seu espírito. Achava que
só escaparia de seu contágio, conversando com elas, o homem que
fosse bem provado, capaz de, conforme a Bíblia, andar no fogo sem
queimar os pés.
Para dar testemunho, cuidava ele mesmo de ser exemplo de toda
virtude. Pois as mulheres o perturbavam tanto que não se podia dizer
que fazia isso por precaução ou para dar exemplo, mas realmente
porque tinha medo e ficava horrorizado.
Quando sua importuna loquacidade o assaltava com eu falatório,
invocava o silêncio falando com brevidade e humildade e baixando os
olhos. Outras vezes voltava os olhos para o céu, parecendo trazer de
lá as palavras que respondia às resmungadoras da terra.
Dirigia, entretanto, palavras admiráveis, embora breves, àquelas
em quem a devoção tinha feito a morada da sabedoria. Quando
conversava com mulheres falava o que tinha a dizer em voz alta, para
poder ser ouvido por todos. Uma vez disse a seu companheiro:
"Confesso-te a verdade, meu caro, não reconheceria nenhuma pelo
rosto, a não ser duas. Conheço a fisionomia desta e daquela, de
mais nenhuma".
Ótimo, pai, porque o rosto delas não santifica ninguém! Ótimo,
porque o lucro não é zero, mas o prejuízo, mesmo de tempo, é
enorme! Elas só servem de estorvo aos que querem seguir o caminho
árduo da santidade e contemplar a face de Deus, radiante de beleza.
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