CAPÍTULO 79. Parábola contra os olhares para as mulheres

113. Verberava os que não tinham olhos castos com esta parábola:

"Um rei poderoso enviou à rainha, um após outro, dois mensageiros. O primeiro voltou e fez seu relatório com as palavras indispensáveis, porque era sábio e tinha segurado os olhos em sua cabeça, sem saltar para qualquer outra coisa. Voltou também o outro e, depois de fazer breve relatório, teceu um longo elogio à beleza da senhora: 'Na verdade, senhor, vi que é uma mulher belíssima. Feliz de quem pode aproveitar'.

O rei respondeu: 'Servo mau, puseste os teus olhos impuros em minha esposa? É claro que querias comprar o que sorrateiramente estiveste apreciando'.

Mandou chamar o primeiro e disse: 'Que achaste da rainha?' Ele respondeu: 'O melhor possível, porque ouviu em silêncio e respondeu com inteligência'. - 'E não é bonita?' - 'Isso sois vós que deveis olhar, senhor. Minha obrigação era levar o recado'.

Então o rei sentenciou: 'Tu, que és casto de olhos, continuarás a meu serviço, e serás ainda mais casto no corpo! Mas esse outro seja posto para fora, para que não me venha a desonrar o leito!'"

Acrescentava o bem-aventurado pai: "Quem é muito seguro não toma cuidado com o inimigo. E o diabo, se consegue se apoderar de um fio de cabelo, logo o faz crescer como uma trave. E mesmo que fique muitos anos sem poder derrubar aquele a quem está tentando, não se importa de esperar, contanto que acabe caindo em suas mãos. Esse é o seu trabalho, e ele não pensa noutra coisa, dia e noite".