CAPÍTULO 87. Um frade libertado da tentação

124. Um frade piedoso e antigo na Ordem, atormentado por grande tribulação da carne, parecia ter sido arrebatado à profundidade do desespero. Seu sofrimento era cada dia maior, porque tinha uma consciência mais escrupulosa que discreta, que o forçava a confessar ninharias. Deveríamos confessar-nos diligentemente quando caímos nas tentações, não só porque as tivemos. Além disso, o frade se sentia tão envergonhado, apesar de não ter feito nada, que, com medo de contar tudo a uma só pessoa, dividia as suas preocupações e as contava por partes, a diversos sacerdotes.

Num dia em que estava andando com ele, o santo disse: "Irmão, não deves mais confessar teu problema a ninguém. Não tenhas medo, porque se não estás consentindo no que acontece contigo, isso vai ser contado como proveito e não como culpa. Todas as vezes que te sentires atribulado, rezarás sete pai-nossos, por mi- nha conta".

Muito admirado, sem saber como o santo tivera conhecimento disso, o frade ficou todo contente e, pouco depois, já estava livre de todo o problema.