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124. Um frade piedoso e antigo na Ordem, atormentado por grande
tribulação da carne, parecia ter sido arrebatado à profundidade do
desespero. Seu sofrimento era cada dia maior, porque tinha uma
consciência mais escrupulosa que discreta, que o forçava a confessar
ninharias. Deveríamos confessar-nos diligentemente quando caímos
nas tentações, não só porque as tivemos. Além disso, o frade se
sentia tão envergonhado, apesar de não ter feito nada, que, com
medo de contar tudo a uma só pessoa, dividia as suas preocupações e
as contava por partes, a diversos sacerdotes.
Num dia em que estava andando com ele, o santo disse: "Irmão,
não deves mais confessar teu problema a ninguém. Não tenhas medo,
porque se não estás consentindo no que acontece contigo, isso vai ser
contado como proveito e não como culpa. Todas as vezes que te
sentires atribulado, rezarás sete pai-nossos, por mi- nha conta".
Muito admirado, sem saber como o santo tivera conhecimento disso, o
frade ficou todo contente e, pouco depois, já estava livre de todo o problema.
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