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18. O servo de Deus Francisco, pequeno de estatura, humilde de
pensamento e menor por profissão, escolheu para si e para os seus um
pedacinho desta terra, enquanto aqui tinha de viver, pois não poderia
servir a Cristo sem ter alguma coisa do mundo. Devem ter sido
inspirados por Deus os que, desde os tempos mais antigos, chamaram de
Porciúncula - pedacinho - o lugar que deveria caber em sorte
àqueles que deste mundo não queriam ter quase nada.
Nele tinha sido construída uma igreja em honra da Virgem Mãe,
aquela que, por sua humildade singular, mereceu ser cabeça de todos
os santos logo depois de seu Filho. Nela teve início a Ordem dos
Menores, e sobre ela se ergueu, como em sólido fundamento, sua
nobre estrutura de inumerável multidão. O santo teve uma
preferência especial por esse lugar, quis que os frades o venerassem
de maneira toda particular e quis que fosse conservado na humildade e na
altíssima pobreza, como espelho de toda a sua Ordem, deixando a
propriedade para outros e reservando para si e para os seus apenas o
uso.
19. Aí se observava a mais rígida disciplina, tanto no silêncio
e no trabalho, como nos outros pontos da vida regular. Não eram
admitidos senão frades especialmente escolhidos entre os que afluíam
de todas as partes. O santo exigia que fossem verdadeiramente
devotados a Deus e perfeitos em tudo que fosse possível. Era
absolutamente proibida a entrada de pessoas seculares: ele não queria
que os frades, vivendo ali em número reduzido, poluíssem seus
ouvidos com o relacionamento dos seculares, para não deixarem a
meditação das coisas celestes, arrastados para assuntos menos dignos
por espalhadores de boatos. Nesse lugar ninguém podia dizer coisas
ociosas, nem narrar as que tinham sido contadas por outros. Quando
isso acontecia, aplicava-se uma pena salutar para corrigir o culpado.
Os que ali moravam ocupavam-se, dia e noite, com os louvores
divinos, levando uma vida angelical, cujo perfume admirável se
espalhava por toda parte.
Aliás, o local era apropriado, pois, conforme diziam os antigos
moradores, também se chamava Santa Maria dos Anjos. O bem-
aventurado pai dizia que lhe tinha sido revelado por Deus que Nossa
Senhora tinha uma predileção por aquele lugar, entre todas as outras
igrejas construídas no mundo em sua honra. E era por isso que o santo
gostava mais dela que das outras.
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