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126. Nos dias em que esteve em Rieti tratando dos olhos, chamou
um dos companheiros, que tinha sido citarista antes de ser frade, e
lhe disse: "Irmão, os filhos deste século não entendem os planos
de Deus. A má inclinação dos homens passou a usar os instrumentos
de música, destinados antigamente aos louvores divinos, só para
agradar os ouvidos. Por isso eu gostaria, meu irmão, que fosses
pedir em segredo uma cítara emprestada para tocar alguma canção
bonita e dar algum alívio ao irmão corpo cheio de dores". O frade
respondeu: "Pai, tenho muita vergonha, porque podem pensar que cedi
a uma tentação de leviandade". O santo disse: "Então vamos
esquecer isso, irmão. Há muitas coisas que é melhor deixar de
fazer para não ferir a boa fama".
Na noite seguinte, estando o santo acordado e a meditar em Deus,
soou de repente uma cítara de admirável harmonia e suavíssima
melodia. Não se via ninguém, mas dava para perceber pelo ouvido que
o citarista estava andando para lá e para cá. Com o espírito
arrebatado em Deus, o santo pai sentiu um prazer tão suave com aquela
doce música, que parecia ter sido transferido para outro mundo.
Quando se levantou de manhã, o santo chamou o frade de quem falamos
acima, contou-lhe tudo direitinho e disse: "O Senhor, que consola
os aflitos, nunca me deixou sem consolação. Eu não podia escutar
as cítaras dos homens e acabei ouvindo uma outra mais bonita".
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