CAPÍTULO 89. Ouve um anjo tocando cítara

126. Nos dias em que esteve em Rieti tratando dos olhos, chamou um dos companheiros, que tinha sido citarista antes de ser frade, e lhe disse: "Irmão, os filhos deste século não entendem os planos de Deus. A má inclinação dos homens passou a usar os instrumentos de música, destinados antigamente aos louvores divinos, só para agradar os ouvidos. Por isso eu gostaria, meu irmão, que fosses pedir em segredo uma cítara emprestada para tocar alguma canção bonita e dar algum alívio ao irmão corpo cheio de dores". O frade respondeu: "Pai, tenho muita vergonha, porque podem pensar que cedi a uma tentação de leviandade". O santo disse: "Então vamos esquecer isso, irmão. Há muitas coisas que é melhor deixar de fazer para não ferir a boa fama".

Na noite seguinte, estando o santo acordado e a meditar em Deus, soou de repente uma cítara de admirável harmonia e suavíssima melodia. Não se via ninguém, mas dava para perceber pelo ouvido que o citarista estava andando para lá e para cá. Com o espírito arrebatado em Deus, o santo pai sentiu um prazer tão suave com aquela doce música, que parecia ter sido transferido para outro mundo.

Quando se levantou de manhã, o santo chamou o frade de quem falamos acima, contou-lhe tudo direitinho e disse: "O Senhor, que consola os aflitos, nunca me deixou sem consolação. Eu não podia escutar as cítaras dos homens e acabei ouvindo uma outra mais bonita".