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130. Tendo abraçado a alegria do espírito, evitava
cuidadosamente a que é falsa, porque sabia que se deve querer com
fervor o que aperfeiçoa, e fugir com vigilância ainda maior daquilo
que prejudica. Tratava de destruir em seu germe toda vaidade, não
deixando sobreviver um só momento qualquer coisa que pudesse ofender os
olhos de seu Senhor. Muito freqüentemente, quando o cobriam de
elogios, sofria e até gemia, ficando muito triste.
Num dia de inverno em que o santo, para cobrir seu pobre corpo, não
tinha mais do que uma túnica remendada com trapos miseráveis, seu
guardião, que também era seu companheiro, comprou uma pele de raposa
e lha deu, dizendo: "Pai, estás doente do baço e do estômago.
Eu te peço por teu amor ao Senhor que me deixes costurar este couro
embaixo de tua túnica. Se não o quiseres inteiro, pelo menos
permite colocar um pedaço em cima do estômago". São Francisco
respondeu: "Se queres que eu agüente isso por baixo da túnica,
manda pregar um remendo do mesmo tamanho pelo lado de fora, para
mostrar que há uma pele escondida lá dentro".
O irmão não concordou, e ficou insistindo. No fim, o guardião
acabou concordando e mandou costurar um remendo por cima do outro, para
não mostrar por fora o que não era por dentro.
Sempre puseste em prática o que ensinaste, sempre foste o mesmo por
fora e por dentro, sempre foste o mesmo como súdito e como superior!
Não apreciavas nenhuma glorificação alheia ou particular, porque te
gloriavas no Senhor!
Mas, por favor, quando disse que uma pele foi posta no lugar da outra
não quis magoar os que usam peles. Pois sabemos que também aqueles
que perderam o estado de inocência precisaram de túnicas de pele.
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