|
135. Não podemos deixar de contar como encobriu e com que cuidado
procurou esconder os gloriosos sinais do Crucificado, dignos de serem
venerados até pelos espíritos celestiais. Logo que o verdadeiro amor
de Cristo transfigurou em sua própria imagem aquele que o amava, ele
se empenhou em dissimular e esconder o tesouro com tanto cuidado, que
durante muito tempo nem os que conviviam com ele souberam de nada. Foi
a providência divina que não quis que isso ficasse escondido para
sempre, sem aparecer aos olhos de seus queridos. Ainda mais que o
lugar das chagas não permitia que estivessem sempre encobertas.
Quando um de seus companheiros viu os estigmas em seus pés, disse:
"Que é isso, meu irmão?" Ele respondeu: "Cuida do que é
teu!"
136. Outra ocasião, o mesmo frade pediu sua túnica para lavar.
Vendo que estava manchada de sangue, perguntou ao santo, quando a
devolveu: "Que sangue é esse, que manchou tua túnica?" O santo
apontou para um dos olhos e disse: "Pergunta o que é isto, se não
sabes que é um olho".
Raramente lavava as mãos inteiras, limitando-se a molhar os dedos,
para que os que estavam por perto não as vissem. Lavava os pés ainda
mais rara e mais ocultamente. Quando alguém lhe pedia a mão para
beijar, apresentava só os dedos e algumas vezes chegou a apresentar a
manga no lugar da mão.
Calçava meias de lã para não mostrar os pés, colocando uma pele em
cima das feridas para suavizar a aspereza da lã. Apesar de não
conseguir esconder os estigmas das mãos e dos pés aos seus
companheiros, o santo pai não gostava quando alguém olhava para
eles. Por isso, cheios do espírito da prudência, os próprios
confrades desviavam os olhos quando ele precisava descobrir as mãos ou
os pés.
|
|