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140. A humildade é garantia e honra de todas as virtudes. O
edifício espiritual que não a tem por base caminha para a ruína mesmo
quando parece estar crescendo.
Como não podia faltar a um homem ornado de tantos dons, a humildade
tinha-o cumulado com a maior fecundidade. A seu entender, não
passava de um pecador, embora fosse um deslumbrante exemplar de toda
espécie de santidade. Tratou sempre de edificar a si mesmo sobre a
humildade, colocando o fundamento que tinha aprendido de Cristo.
Esquecido do que já conseguira, só sabia ver os próprios defeitos,
olhando mais o que faltava do que o que possuia. Seu único desejo era
ser melhor e conquistar novas virtudes sem se contentar com as que já
tinha.
Era humilde de presença, mais humilde de sentimento e muito mais
humilde no conceito que fazia de si mesmo. Príncipe de Deus, não
se destacava pela posição em que tinha sido posto mas unicamente por
uma preciosa jóia: conseguira ser o mínimo entre os menores. Essa
era a virtude, esse era o título, esse era o único sinal que
indicava ser ele o ministro geral. Tinha afastado de sua boca toda
grandiosidade, e também toda pompa de seus gestos e todo fausto de
suas ações.
Sabia por revelação o sentido de muitas coisas, mas, diante dos
outros, deixava que prevalecesse a opinião deles. Achava que as
idéias de seus companheiros eram mais seguras e que a opinião dos
outros era melhor que a dele. Dizia que não tinha deixado tudo por
amor de Deus aquele que ainda segurava a bolsa de seu próprio modo de
pensar. Preferia uma crítica a um elogio, porque a crítica o
levaria a emendar-se, e o elogio, a tropeçar.
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