A HUMILDADE


CAPÍTULO 102. Humildade de São Francisco no comportamento, no porte e nos costumes. Contra o próprio parecer

140. A humildade é garantia e honra de todas as virtudes. O edifício espiritual que não a tem por base caminha para a ruína mesmo quando parece estar crescendo.

Como não podia faltar a um homem ornado de tantos dons, a humildade tinha-o cumulado com a maior fecundidade. A seu entender, não passava de um pecador, embora fosse um deslumbrante exemplar de toda espécie de santidade. Tratou sempre de edificar a si mesmo sobre a humildade, colocando o fundamento que tinha aprendido de Cristo. Esquecido do que já conseguira, só sabia ver os próprios defeitos, olhando mais o que faltava do que o que possuia. Seu único desejo era ser melhor e conquistar novas virtudes sem se contentar com as que já tinha.

Era humilde de presença, mais humilde de sentimento e muito mais humilde no conceito que fazia de si mesmo. Príncipe de Deus, não se destacava pela posição em que tinha sido posto mas unicamente por uma preciosa jóia: conseguira ser o mínimo entre os menores. Essa era a virtude, esse era o título, esse era o único sinal que indicava ser ele o ministro geral. Tinha afastado de sua boca toda grandiosidade, e também toda pompa de seus gestos e todo fausto de suas ações.

Sabia por revelação o sentido de muitas coisas, mas, diante dos outros, deixava que prevalecesse a opinião deles. Achava que as idéias de seus companheiros eram mais seguras e que a opinião dos outros era melhor que a dele. Dizia que não tinha deixado tudo por amor de Deus aquele que ainda segurava a bolsa de seu próprio modo de pensar. Preferia uma crítica a um elogio, porque a crítica o levaria a emendar-se, e o elogio, a tropeçar.