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141. Numa ocasião em que foi pregar ao povo de Terni, no fim do
sermão o bispo da cidade o elogiou deste modo diante de todos:
"Nestes últimos tempos, Deus iluminou sua Igreja com este
pobrezinho desprezível, simples e ignorante. Temos que louvar sempre
o Senhor, pois sabemos que não agiu dessa maneira com todas as
nações".
Ouvindo isso, o santo ficou muito contente: o bispo tinha mostrado
bem claro como ele era desprezível. Quando entraram na igreja,
lançou-se aos pés do bispo dizendo: "Na verdade, senhor bispo,
fizeste-me uma grande honra, porque foste o único que conservou o que
é meu. Os outros tiram. Tiveste a discrição de separar o que é
precioso do que não presta, dando o louvor a Deus e a mim o
desprezo".
142. Mas o homem de Deus era humilde tanto diante dos grandes como
de seus iguais e dos mais desprezados, pois estava mais preparado para
ser admoestado e corrigido que para dar conselhos.
Num dia em que, fraco e doente, não podendo ir a pé, passou
montado num burrinho pelo terreno em que estava trabalhando um rude
camponês, este foi correndo perguntar se ele era Frei Francisco. O
homem de Deus respondeu humildemente que era ele mesmo, e o outro
disse: "Trata de ser tão bom como todos dizem, porque são muitos
os que confiam em ti. Por isso te aconselho a não seres diferente
daquilo que esperam de ti".
Ouvindo isso, Francisco, o homem de Deus, saltou do burro para o
chão, prostrou-se diante daquele homem rude e lhe beijou os pés com
humildade, agradecido porque se tinha dignado dar-lhe conselhos.
Apesar de ser tão famoso e tido por muita gente como santo,
achava-se um miserável diante de Deus e dos homens, e não se
ensoberbecia nem com a fama nem com a santidade e nem mesmo com os
muitos irmãos e filhos santos que lhe tinham sido dados como começo da
recompensa por seus merecimentos.
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