CAPÍTULO 112. Descrição do obediente. As três obediências

152. Noutra ocasião, sentado com seus companheiros, São Francisco suspirou: "É difícil encontrar no mundo inteiro um religioso que obedeça com perfeição a seu superior". Atingidos, os companheiros disseram: "Diz-nos, pai, qual é a maior e mais perfeita obediência?"

Fazendo uma comparação com um corpo morto, ele descreveu o verdadeiro obediente: "Pegai um cadáver. Ponde-o onde quiserdes. Vereis que não se incomodará de ser movimentado, não se queixará do lugar, nem reclamará por o terem largado. Se for colocado numa cátedra, vai olhar para baixo, não para cima. Se for vestido de púrpura, vai ficar duas vezes mais pálido. Esse é o verdadeiro obediente: não fica pensando em por que foi mudado, não se importa com o lugar onde o puseram, não fica pedindo para ser transferido. Se lhe dão um cargo, mantém a humildade costumeira. Quanto mais honrado, mais se acha indigno".

Uma outra vez, falando do mesmo assunto, disse que a licença dada a pedido é uma verdadeira licença, mas a que for oferecida sem ter sido pedida é uma obediência sagrada. Que uma e outra eram boas, mas a segunda, mais garantida. Mas achava que a melhor de todas, em que nem havia nada de "carne e sangue", era a obediência de ir "entre os infiéis por divina inspiração", tanto para o proveito dos outros como pelo desejo do martírio. Achava que pedir essa obediência era coisa muito aceita por Deus.