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152. Noutra ocasião, sentado com seus companheiros, São
Francisco suspirou: "É difícil encontrar no mundo inteiro um
religioso que obedeça com perfeição a seu superior". Atingidos,
os companheiros disseram: "Diz-nos, pai, qual é a maior e mais
perfeita obediência?"
Fazendo uma comparação com um corpo morto, ele descreveu o
verdadeiro obediente: "Pegai um cadáver. Ponde-o onde quiserdes.
Vereis que não se incomodará de ser movimentado, não se queixará
do lugar, nem reclamará por o terem largado. Se for colocado numa
cátedra, vai olhar para baixo, não para cima. Se for vestido de
púrpura, vai ficar duas vezes mais pálido. Esse é o verdadeiro
obediente: não fica pensando em por que foi mudado, não se importa
com o lugar onde o puseram, não fica pedindo para ser transferido.
Se lhe dão um cargo, mantém a humildade costumeira. Quanto mais
honrado, mais se acha indigno".
Uma outra vez, falando do mesmo assunto, disse que a licença dada a
pedido é uma verdadeira licença, mas a que for oferecida sem ter sido
pedida é uma obediência sagrada. Que uma e outra eram boas, mas a
segunda, mais garantida. Mas achava que a melhor de todas, em que
nem havia nada de "carne e sangue", era a obediência de ir "entre
os infiéis por divina inspiração", tanto para o proveito dos outros
como pelo desejo do martírio. Achava que pedir essa obediência era
coisa muito aceita por Deus.
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