|
155. Afirmava que os frades menores tinham sido enviados pelo
Senhor nestes últimos tempos, para darem exemplos de luz aos
pecadores envolvidos nas trevas. Dizia que se sentia penetrado por
suavíssimos perfumes e sentia a força de um precioso ungüento quando
ouvia contar os grandes feitos dos santos frades que moravam longe pelo
mundo afora.
Uma vez um certo Frei Bárbaro injuriou um outro frade diante de um
nobre da ilha de Chipre. Quando viu que o outro tinha ficado magoado
com suas palavras, pegou esterco de burro e, para vingar-se de si
mesmo, colocou-o na boca dizendo: "Que mastigue esterco essa
língua que soltou o veneno da ira em cima do meu irmão".
Vendo isso, o cavaleiro ficou atônito e foi embora muito edificado.
Desde então, colocou-se à disposição dos frades, com todos os
seus haveres.
Esse era o procedimento inviolável de todos os frades: se alguma vez
algum deles perturbava o outro com suas palavras, logo se lançava no
chão e beijava os pés do ofendido mesmo contra sua vontade.
O santo ficava exultante quando sabia que seus filhos eram capazes de
dar exemplos de santidade, cobrindo com suas melhores bênçãos os
que, por palavras ou ações, levavam os pecadores para o amor de
Cristo. Transbordante de zelo das almas, queria que seus filhos
fossem nesse ponto como ele.
|
|