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170. Um nobre do condado de Sena mandou levar um faisão a São
Francisco, que estava doente. Este o recebeu alegremente, não pela
vontade de comê-lo mas pela alegria que sempre o levava nessas
ocasiões ao amor do Criador, e disse ao faisão: "Louvado seja o
nosso Criador, irmão faisão!" Depois voltou-se para os frades:
"Vamos ver, irmãos, se o irmão faisão prefere morar conosco ou ir
para os lugares de costume, que são mais convenientes para ele".
Por ordem do santo, um frade foi levá-lo bem longe, deixando-o em
uma vinha. Ele voltou imediatamente para a cela do santo. Este
mandou que o levassem mais longe ainda. O pássaro, com a maior
teimosia, voltou para a porta da cela e, mesmo tendo que fazer força
por entre os hábitos dos frades que estavam na porta, entrou. Então
o santo mandou que cuidassem de alimentá-lo, abraçando-o e
conversando carinhosamente com ele.
Um médico que era devoto do santo de Deus, quando viu isso, pediu o
faisão aos frades, não para come-lo, mas desejando criá-lo por
reverência ao santo. Levou-o para casa, mas o faisão, como que
ofendido por ter sido afastado do santo, não quis saber de comer
enquanto não gozou de sua presença. Maravilhado, o médico levou o
faisão de volta ao santo e contou tudo que tinha acontecido. Logo que
foi posto no chão, ele olhou para o pai, esqueceu a tristeza e
começou a comer com satisfação.
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