CAPÍTULO 129. O faisão

170. Um nobre do condado de Sena mandou levar um faisão a São Francisco, que estava doente. Este o recebeu alegremente, não pela vontade de comê-lo mas pela alegria que sempre o levava nessas ocasiões ao amor do Criador, e disse ao faisão: "Louvado seja o nosso Criador, irmão faisão!" Depois voltou-se para os frades: "Vamos ver, irmãos, se o irmão faisão prefere morar conosco ou ir para os lugares de costume, que são mais convenientes para ele".

Por ordem do santo, um frade foi levá-lo bem longe, deixando-o em uma vinha. Ele voltou imediatamente para a cela do santo. Este mandou que o levassem mais longe ainda. O pássaro, com a maior teimosia, voltou para a porta da cela e, mesmo tendo que fazer força por entre os hábitos dos frades que estavam na porta, entrou. Então o santo mandou que cuidassem de alimentá-lo, abraçando-o e conversando carinhosamente com ele.

Um médico que era devoto do santo de Deus, quando viu isso, pediu o faisão aos frades, não para come-lo, mas desejando criá-lo por reverência ao santo. Levou-o para casa, mas o faisão, como que ofendido por ter sido afastado do santo, não quis saber de comer enquanto não gozou de sua presença. Maravilhado, o médico levou o faisão de volta ao santo e contou tudo que tinha acontecido. Logo que foi posto no chão, ele olhou para o pai, esqueceu a tristeza e começou a comer com satisfação.