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171. Havia na Porciúncula, ao lado da cela do santo, uma
figueira onde uma cigarra costumava cantar com suavidade. Uma vez, o
bem-aventurado pai lhe estendeu a mão e a chamou bondosamente
dizendo: "Cigarra, minha irmã, vem cá!" Como se tivesse
razão, ela foi logo para sua mão. E ele: "Canta, minha irmã
cigarra, louva com júbilo o Senhor Criador!"
Ela obedeceu depressa, começou a cantar e não parou enquanto o
santo, juntando seus louvores ao cântico, não a mandou de volta para
o seu lugar. Lá ficou por oito dias, como se estivesse presa.
Quando o santo descia de sua cela, tocava-a com as mãos e mandava
que cantasse. Ela estava sempre pronta para obedecer-lhe.
Disse o santo a seus companheiros: "Vamos despedir nossa irmã
cigarra, que já nos alegrou bastante aqui com o seu louvor, para que
isso não seja causa de vanglória para nós". Com sua permissão,
ela foi embora, e não apareceu mais.
Os frades ficavam admiradíssimos, vendo tudo isso.
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