CAPÍTULO 136. Contra os que vivem mal nos eremitérios. Quer que tudo seja comum

179. Embora tenhamos visto até agora como a caridade do santo se alegrava com os sucessos de seus amados irmãos, sabemos que não deixou de corrigir com energia os que, nos eremitérios, não viviam de acordo.

Porque há muitos que transformam o lugar da contemplação em lugar de ociosidade, fazendo do modo de vida eremítico, inventado para aperfeiçoar as almas, uma sentina de seus maus desejos. A lei para esses anacoretas de nosso tempo é cada um viver como quer.

Isso não vale para todos: sabemos que há santos que vivem hoje nos eremitérios observando as leis da melhor forma possível. Sabemos também que os pais que nos precederam foram flores da solidão. Que não decaiam os eremitas de nosso tempo daquela primitiva beleza, cujo merecido louvor permanece para sempre!

180. Aconselhando todos a serem caridosos, São Francisco também mandava que demonstrassem afabilidade e um tratamento familiar: "Quero que meus frades mostrem que são filhos da mesma mãe. Que cada um dê com liberalidade ao outro o hábito, o cordão, qualquer coisa que ele pedir. Ponham em comum os livros e tudo que possam desejar, insistindo até com os outros a que tomem o que precisam".

E era sempre o primeiro a fazer tudo isso, para que também nessas coisas não viesse a dizer o que já não tivesse sido realizado nele mesmo por Cristo.