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22. Certa noite, quando todos descansavam, uma daquelas ovelhas
começou a gritar: "Estou morrendo, irmãos, estou morrendo de
fome!" O valoroso pastor levantou-se imediatamente a acudir sua
ovelhinha doente com o devido remédio. Mandou preparar a mesa,
embora cheia de pobres iguarias, onde havia água no lugar de vinho,
como era freqüente. Ele mesmo começou a comer e, por caridade,
para que o frade não ficasse envergonhado, convidou também os outros
irmãos.
Depois de terem tomado o alimento no temor do Senhor, para que nada
faltasse ao dever da caridade, contou-lhes o pai uma parábola sobre a
virtude da discrição. Disse que o sacrifício oferecido a Deus deve
ser sempre bem temperado e aconselhou carinhosamente cada um a levar em
conta as próprias forças quando pensa em prestar obséquio a Deus.
Afirmou que tanto era pecado deixar de dar o que era devido ao corpo
quanto dar-lhe o supérfluo por gula.
E acrescentou: "Deveis saber, caríssimos, que agora comi por
cortesia e não por gosto, porque assim mandava a caridade fraterna.
Tomem como exemplo a caridade e não o fato de comer, porque o comer
serve à gula, e a caridade ao espírito".
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