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188. A um frade que lhe perguntou, uma vez, por que tinha deixado
o cuidado de todos os irmãos entregando-os a outrem, como se nada
tivessem a ver com ele, disse: "Filho, amo os frades como posso.
Mas haveria de amá-los mais ainda se seguissem meus passos, e não
me alhearia deles. Porque há alguns superiores que os conduzem por
outros caminhos, propondo-lhes exemplos dos antigos e fazendo pouco de
meus avisos. Mas depois vão aparecer os resultados do que estão
fazendo".
Pouco depois, muito doente, endireitou-se na cama pela veemência do
espírito e disse: "Quem são esses que arrebataram de minhas mãos a
Ordem que é minha e dos frades? Se eu for ao capítulo geral, vou
mostrar-lhes qual é a minha vontade".
O frade a quem nos referimos perguntou: "Não vais mudar os
ministros provinciais que há tanto tempo abusam da liberdade?"
Gemendo, o pai deu esta terrível resposta: "Vivam como quiserem:
é preferível o mal de poucos que a perdição de muitos!"
Não se referia a todos mas a alguns, que estavam havia tanto tempo
como superiores que parecia terem o cargo como uma propriedade.
O que mais recomendava aos superiores regulares era isto: não mudar
os costumes a não ser para melhor, não se comprometer com favores,
não exercer um poder mas cumprir um encargo.
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