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189. A santa simplicidade, filha da graça, irmã da sabedoria,
mãe da justiça, era o ideal a que desejava chegar o santo e a virtude
que mais apreciava nos outros. Mas não aprovava qualquer
simplicidade: apenas aquela que, contente com o seu Deus, despreza
todas as outras coisas.
É aquela que se gloria no temor de Deus, que não sabe fazer nem
dizer mal. Aquela que examina a si mesma e não condena ninguém, que
entrega o devido comando ao melhor e não deseja mandar em ninguém.
Aquela que não acha que as melhores glórias são as da cultura e por
isso prefere fazer e não aprender ou ensinar. Aquela que, em todas
as leis divinas, deixa para os que vão perecer toda verbosidade,
ostentação e preciosidade, enfeites e curiosidades, e vai atrás da
medula e não das casca, do conteúdo e não do invólucro, não das
muitas coisas mas daquele bem que é o grande, o maior, o estável.
O pai santíssimo exigia essa simplicidade tanto nos frades letrados
como nos sem cultura, achando que não era adversária mas irmã da
sabedoria, ainda que os pobres de ciência tenham mais facilidade para
a adquirir e pôr em prática. Por isso, disse nos Louvores das
Virtudes: "Salve, rainha sabedoria! Deus te salve, com tua irmã
a pura e santa simplicidade!"
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