CAPÍTULO 146. Como quer que se despojem os homens cultos que entram na Ordem

194. Certa vez, disse que um homem de grande cultura deveria resignar, de certa forma, até à ciência, quando entrava na Ordem, para que, despojado dessa posse, se lançasse despido aos braços do Crucificado.

"A ciência - dizia - torna muitas pessoas indóceis, fazendo com que alguma coisa rígida nelas resista aos ensinamentos humildes. Por isso gostaria que o homem letrado começasse por me dizer esta prece: 'Irmão, vivi muito tempo no mundo e não conheci de verdade o meu Deus. Peço que me concedas um lugar afastado do barulho do mundo, para que possa rever meus anos na dor, para que recorde as dispersões de meu coração e me reforme para o que é melhor'. Que pensais que vai acontecer com quem começar desse jeito? Como um leão solto, sairá com força para tudo, e a boa seiva que hauriu no começo continuará a se desenvolver para o seu proveito. Este é que seria o mais indicado para o verdadeiro ministério da palavra, porque haveria de derramar do que estivesse fervendo dentro dele".

De fato, é um ensinamento sublime! Que mais precisa quem vem do mundo das dissimulações que limpar e enxugar com exercícios de humildade os afetos seculares que andou ajuntando e arraigando em si mesmo durante tanto tempo? Quem quer que entre nessa escola de perfeição bem depressa alcançará a santidade.