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194. Certa vez, disse que um homem de grande cultura deveria
resignar, de certa forma, até à ciência, quando entrava na
Ordem, para que, despojado dessa posse, se lançasse despido aos
braços do Crucificado.
"A ciência - dizia - torna muitas pessoas indóceis, fazendo com
que alguma coisa rígida nelas resista aos ensinamentos humildes. Por
isso gostaria que o homem letrado começasse por me dizer esta prece:
'Irmão, vivi muito tempo no mundo e não conheci de verdade o meu
Deus. Peço que me concedas um lugar afastado do barulho do mundo,
para que possa rever meus anos na dor, para que recorde as dispersões
de meu coração e me reforme para o que é melhor'. Que pensais que
vai acontecer com quem começar desse jeito? Como um leão solto,
sairá com força para tudo, e a boa seiva que hauriu no começo
continuará a se desenvolver para o seu proveito. Este é que seria o
mais indicado para o verdadeiro ministério da palavra, porque haveria
de derramar do que estivesse fervendo dentro dele".
De fato, é um ensinamento sublime! Que mais precisa quem vem do
mundo das dissimulações que limpar e enxugar com exercícios de
humildade os afetos seculares que andou ajuntando e arraigando em si
mesmo durante tanto tempo? Quem quer que entre nessa escola de
perfeição bem depressa alcançará a santidade.
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