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195. Sofria quando a ciência era procurada com desprezo da
virtude, principalmente se a pessoa não permanecia na vocação que
tinha recebido desde o começo. Dizia: "Os meus irmãos que se
deixam arrastar pela curiosidade da ciência vão se encontrar de mãos
vazias no dia da retribuição. Gostaria que se reforçassem mais com
virtudes para que, vindo os tempos de tribulação, tivessem o Senhor
consigo na hora da angústia. Porque virá uma tribulação em que os
livros não vão servir para nada, e serão jogados nas janelas e nos
desvãos".
Não dizia isso porque não gostasse dos estudos das Escrituras, mas
para afastar a todos dos estudos supérfluos, pois preferia que fossem
bons pela caridade e não sabidos por curiosidade.
Pressentia que não tardariam a vir tempos em que a ciência seria
ocasião de ruína, enquanto o espírito seria uma base sólida para a
vida espiritual.
A um irmão leigo que foi pedir sua licença para ter um saltério deu
cinza em vez do livro. A um de seus companheiros que estava ocupado
com pregações apareceu uma vez depois de sua morte, proibiu que
continuasse nesse caminho e mandou que seguisse o da simplicidade.
Deus é testemunha de que, depois dessa visão, o frade gozou de tal
consolação que, por muitos dias, teve a impressão de que as
palavras do pai ainda estavam em seus ouvidos como um orvalho
penetrante.
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