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196. Acho que vale a pena e pode ser interessante falar um pouco
das devoções particulares de Francisco. Apesar de ser um homem
devoto em todos os pontos, pois gozava da unção do Espírito, tinha
especial inclinação por algumas formas de piedade.
Entre outras expressões usadas nas conversas comuns, não podia ouvir
falar em "amor de Deus" sem se comover profundamente. Logo que
ouvia falar em amor de Deus ficava fora de si, comovido, inflamado,
como se suas cordas mais íntimas vibrassem com esse som exterior.
Dizia que era uma prodigalidade de nobres pagar as esmolas com o amor
de Deus, e que eram pessoas muito tolas as que davam maior valor ao
dinheiro. Ele mesmo observou sem nenhuma falha, até a morte, o
propósito que tinha feito quando ainda estava no mundo, de jamais
rejeitar um pobre que pedisse por amor de Deus.
Uma vez um pobre lhe pediu por amor de Deus e ele não tinha nada.
Pegou escondido uma tesoura e ia dar-lhe um pedaço da própria
roupa. Não chegou a fazer isso porque foi surpreendido pelos frades,
mas fez com que dessem outra coisa ao pobre. Disse: "Temos que amar
muito o amor daquele que tanto nos amou".
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