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201. Ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser para com
o sacramento do Corpo do Senhor, pois ficava absolutamente estupefato
diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade.
Achava que era um desprezo muito grande não assistir pelo menos a uma
missa cada dia, se pudesse. Comungava com freqüência e com tamanha
devoção que tornava devotos também os outros. Como tinha toda
reverência para com aquilo que se deve reverenciar, oferecia o
sacrifício de toda a sua pessoa e, ao receber o Cordeiro imolado,
imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu
coração.
Amava a França por ser devota do Corpo do Senhor, e nela de-
sejava morrer por seu amor aos sagrados mistérios.
Certa ocasião quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas
para guardarem o preço de nossa redenção no melhor lugar, onde quer
que o encontrassem guardado de maneira menos digna.
Queria que se tivesse a maior reverência para com as mãos
sacerdotais, pelo poder divino que lhes foi conferido para a
confecção do santo sacramento. Dizia freqüentemente: "Se e
acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido do céu e um
sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero, e me apressaria
a beijar as suas mãos. Até diria: 'Espera, São Lourenço,
porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e têm algo de
sobre-humano'"..
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