RECOMENDAÇÃO DA REGRA DOS IRMÃOS


CAPÍTULO 158. Recomendação da Regra de São Francisco. Um frade que a leva consigo

208. Tinha um zelo ardente pela profissão e pela Regra, e deixou uma bênção especial para os que eram zelosos por ela.

Pois dizia aos seus que a Regra era o livro da vida, a esperança da salvação, a medula do Evangelho, o caminho da perfeição, a chave do paraíso, o pacto da aliança eterna. Queria que todos a possuíssem e que todos a conhecessem, para que fosse tema de seu diálogo com o homem interior, servindo para lembrar-lhe o juramento feito. Ensinou que se devia ter sempre a Regra diante dos olhos para dirigir a vida e, até mais, que com ela se deveria morrer.

Houve um irmão leigo que não se esqueceu dessa recomendação, conseguindo assima palma de uma vitória gloriosa, e creio que deve ser venerado entre os mártires. Quando os sarracenos o levavam para o martírio, levantando a Regra nas mãos e humildemente ajoelhado, ele disse ao companheiro: "Irmão caríssimo, diante dos olhos da Majestade e diante de ti, declaro-me culpado de tudo que fiz contra esta santa Regra".

A essa breve confissão sobreveio a espada, e assim morreu martirizado, ficando célebre depois por sinais e prodígios. Tinha entrado na Ordem quase criança, a ponto de mal aguentar o jejum regular. No entanto, apesar de tão jovem, cingia-se de cilício. Feliz menino, que começou bem para terminar ainda melhor.