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208. Tinha um zelo ardente pela profissão e pela Regra, e deixou
uma bênção especial para os que eram zelosos por ela.
Pois dizia aos seus que a Regra era o livro da vida, a esperança da
salvação, a medula do Evangelho, o caminho da perfeição, a chave
do paraíso, o pacto da aliança eterna. Queria que todos a
possuíssem e que todos a conhecessem, para que fosse tema de seu
diálogo com o homem interior, servindo para lembrar-lhe o juramento
feito. Ensinou que se devia ter sempre a Regra diante dos olhos para
dirigir a vida e, até mais, que com ela se deveria morrer.
Houve um irmão leigo que não se esqueceu dessa recomendação,
conseguindo assima palma de uma vitória gloriosa, e creio que deve ser
venerado entre os mártires. Quando os sarracenos o levavam para o
martírio, levantando a Regra nas mãos e humildemente ajoelhado, ele
disse ao companheiro: "Irmão caríssimo, diante dos olhos da
Majestade e diante de ti, declaro-me culpado de tudo que fiz contra
esta santa Regra".
A essa breve confissão sobreveio a espada, e assim morreu
martirizado, ficando célebre depois por sinais e prodígios. Tinha
entrado na Ordem quase criança, a ponto de mal aguentar o jejum
regular. No entanto, apesar de tão jovem, cingia-se de cilício.
Feliz menino, que começou bem para terminar ainda melhor.
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