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217. Enquanto os frades choravam amargamente e se lamentavam
inconsoláveis, o pai santo mandou trazer um pão. Abençoou-o,
partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer. Também mandou trazer
um livro dos Evangelhos e pediu que lessem o Evangelho de São João
a partir do trecho que começa: "Antes do dia da festa da
Páscoa", etc. Lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última
celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo isso para
celebrar sua lembrança, demonstrando todo o amor que tinha para com
seus frades.
Passou em ação de graças os poucos dias que ainda restavam até sua
morte, ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua
companhia. Ele mesmo, quanto lhe permitiam suas forças, entoou o
Salmo: "Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro o
Senhor", etc. Convidou também todas as criaturas ao louvor de
Deus e, usando uma composição que tinha feito em outros tempos,
exortou-as ao amor de Deus. Chegou a exortar para o louvor até a
própria morte, que todos temem e abominam, e, correndo alegre ao seu
encontro, convidou-a com hospitalidade: "Bem-vinda seja a minha
irmã morte!"
Ao médico disse: "Irmão médico, diga com coragem que minha morte
está próxima, para mim ela é a porta da vida!" E aos frades:
"Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes
despido anteontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar
mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar sem
pressa uma milha".
E assim chegou a hora. Tendo completado em si mesmo todos os
mistérios de Cristo, voou feliz para Deus.
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