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217a. Um frade seu discípulo, muito famoso, viu a alma do
santíssimo pai como uma estrela, com o tamanho da lua e a claridade do
sol, sobrevoando o abismo das águas, levada em cima de uma nuvenzinha
branca e subindo direto para o céu.
Houve por isso um grande ajuntamento de povo, louvando e glorificando
o nome do Senhor. A cidade de Assis veio em peso, e a região
inteira se apressou para ver as grandezas de Deus, que o Senhor tinha
demonstrado em seu servo. Lamentavam-se os filhos privados de tão
excelente pai e demonstravam com lágrimas e suspiros o piedoso afeto de
seu coração.
Mas a novidade do milagre transformou o pranto em júbilo e o luto em
comemoração. Viam o corpo do bem-aventurado pai ornado com os
estigmas. No meio das mãos e dos pés estavam não os buracos dos
cravos mas os próprios cravos, feitos com sua carne e até unidos à
sua carne, embora pretos como ferro. O lado direito parecia rubro de
sangue. Sua pele, antes escura por natureza, mostrava agora a alvura
brilhante que prometia os prêmios da ressurreição. Seus membros
podiam dobrar-se, não tinham a rigidez cadavérica, parecendo de um
menino.
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