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220a. Em nome do Senhor Jesus. Amém. No ano 1226 de sua
Encarnação, no dia 3 de outubro, dia que tinha predito, passados
vinte anos desde que tinha aderido com perfeição a Cristo seguindo a
vida e os passos dos apóstolos, o homem apostólico que foi São
Francisco, solto das amarras da vida mortal, partiu felizmente para
Cristo. Sepultado na cidade de Assis, começou a brilhar por toda
parte por tantos e tão admiráveis milagres que, em breve, tinha
arrastado grande parte do mundo para essa admiração dos novos tempos.
Quando já estava famoso em diversas regiões pela novidade dos
milagres, acorrendo de toda parte pessoas que se alegravam por ter sido
liberadas de males por seu benefício, o Senhor Papa Gregório,
estando em Perúsia com todos os cardeais e outros prelados das
igrejas, começou a tratar de sua canonização. Todos concordaram,
demonstrando ser do mesmo parecer. Leram e aprovaram os milagres que o
Senhor operou por intermédio de seu servo, e exaltaram a vida e o
comportamento do bem-aventurado pai com os maiores elogios.
Foram convocados em primeiro lugar, para tão grande festa, os
príncipes da terra, e toda a multidão de prelados, com um povo
inumerável e, no dia marcado, entraram com o Santo Papa na cidade
de Assis, para aí celebrar a canonização do santo, para sua maior
glorificação.
Chegando todos ao lugar preparado para tão solene convênio, pregou
em primeiro lugar a todo o povo o Papa Gregório, e anunciou as
grandezas de Deus com doce afeto. Louvou também o santo pai
Francisco em nobilíssimo sermão e, proclamando a pureza de sua
vida, banhou-se em lágrimas.
Portanto, terminado o sermão, estendendo as mãos para o céu, o
Papa Gregório clamou em voz alta e sonora...
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