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221. Aqui estão, bem-aventurado pai nosso, os esforços da
simplicidade com que procuramos louvar de alguma maneira teus feitos
magníficos, e contar pelo menos um pouco de tuas inumeráveis virtudes
de santidade, para tua glória. Temos consciência de que nossas
palavras tiraram muito do esplendor de teus feios, pois se demonstraram
incapazes de manifestar tão grande perfeição. Pedimos, a ti e aos
leitores, que pensem tanto em nosso afeto quanto em nosso esforço,
alegrando-se porque as alturas de tua santidade superaram nossa pena
humana.
Quem poderia, ó egrégio entre os santos, conceber em si mesmo o
ardor de teu espírito ou imprimi-lo nos outros? Quem poderia ter os
afetos inefáveis que de ti fluíam constantemente para Deus? Mas
escrevemos estas coisas deleitados em tua doce lembrança, que
procuraremos transmitir aos outros enquanto vivermos, mesmo que seja
balbuciando.
Tu, que passaste fome, já te alimentas com a flor do trigo; tu que
eras um sedento, já bebes na torrente do prazer. Mas não
acreditamos que estejas a tal ponto inebriado com a fartura da casa de
Deus, que tenhas esquecido teus filhos, pois até aquele a quem bebes
lembra-se de nós. Arrasta-nos, pois, para ti, pai digno, para
corrermos no odor de teus perfumes, nós que, de fato, vês mornos
pela falta de vontade, lânguidos de preguiça, apenas meio vivos pela
negligência! O pequeno rebanho já te segue com passo inseguro.
Nossos pobres olhos ofuscados não suportam os raios de tua
perfeição. Renova nossos dias, como no começo, ó espelho
exemplar dos perfeitos, e não permitas que tenham vida diferente da
tua os que são conformes a ti pela profissão!
222. Pedimos agora humildemente, diante da clemência da
Majestade eterna, pelo servo de Cristo, nosso ministro, sucessor de
tua santa humildade, êmulo verdadeiro da pobreza, que tem o solícito
cuidado de tuas ovelhas com doce afeto por amor do teu Cristo.
Pedimos, ó santo, que o ajudes e ampares, para que siga sempre os
teus passos e consiga para sempre o louvor e a glória que já
conquistaste.
223. Também suplicamos com todo afeto do coração, pai
bondosíssimo, por aquele teu filho que escreveu com carinho os teus
louvores, já uma vez no passado e também agora. Conosco ele te
oferece e dedica este opúsculo que coligiu com todo o seu esforço,
mesmo que não seja digno por seus méritos. Digna-te conservá-lo e
livrá-lo de todo mal, fazendo crescer seus santos merecimentos e
agregando-o para sempre ao consórcio dos santos por tuas preces.
224. Lembra-te, pai, de todos os teus filhos, pois tu que és
santo sabes quanto andam afastados de teus passos, no meio de
intrincados perigos. Dá forças para que possam resistir.
Purifica-os para que resplandeçam. Alegra-os para que sejam
felizes. Pede que seja infundido sobre eles o espírito da graça e da
oração, para terem a verdadeira humildade que tiveste, para
observarem a pobreza que tiveste, para merecerem o amor com que sempre
amaste o Cristo crucificado. Que com o Pai e o Espírito Santo
vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
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