|
41. No tempo em que o santo pai esteve doente no palácio episcopal
de Rieti, um cônego chamado Gedeão, sensual e mundano, também
estava de cama, com dores por todos os lados. Fez com que o levassem
a São Francisco e pediu, entre lágrimas, que lhe fizesse o sinal
da cruz.
O santo disse: "Como é que vou fazer o sinal da cruz se estás
vivendo há muito tempo de acordo com os desejos da carne, sem temer os
juizos de Deus?" E acrescentou: "Eu te assinalo em nome de
Cristo, mas fica sabendo que sofrerás coisas ainda piores se, depois
de libertado, voltares ao vômito". Ainda concluiu: "Quando há
um pecado da ingratidão, os castigos são sempre piores que os
anteriores".
Fez o sinal da cruz, e logo o cônego, que estivera deitado e
contraído, levantou-se curado e entoando louvores. Disse: "Estou
livre". Muita gente ouviu seus ossos estalarem, como quando se
quebra lenha seca com as mãos.
Mas, pouco tempo depois, esquecido de Deus, entregou-se outra vez
à sensualidade. Numa noite em que tinha jantado em casa de um cônego
seu colega, tendo lá ficado para dormir, o teto da casa ruiu de
repente sobre todos. Os outros escaparam da morte, mas ele não
conseguiu e foi esmagado.
Nem devemos admirar que, como disse o santo, tenham acontecido coisas
piores que as anteriores, porque devemos ser agradecidos pelos favores
recebidos, e um pecado repetido ofende duas vezes mais.
|
|