CAPÍTULO 12. Cura um clérigo, mas prediz que, por causa de seu pecado, haverá de sofrer coisas piores

41. No tempo em que o santo pai esteve doente no palácio episcopal de Rieti, um cônego chamado Gedeão, sensual e mundano, também estava de cama, com dores por todos os lados. Fez com que o levassem a São Francisco e pediu, entre lágrimas, que lhe fizesse o sinal da cruz.

O santo disse: "Como é que vou fazer o sinal da cruz se estás vivendo há muito tempo de acordo com os desejos da carne, sem temer os juizos de Deus?" E acrescentou: "Eu te assinalo em nome de Cristo, mas fica sabendo que sofrerás coisas ainda piores se, depois de libertado, voltares ao vômito". Ainda concluiu: "Quando há um pecado da ingratidão, os castigos são sempre piores que os anteriores".

Fez o sinal da cruz, e logo o cônego, que estivera deitado e contraído, levantou-se curado e entoando louvores. Disse: "Estou livre". Muita gente ouviu seus ossos estalarem, como quando se quebra lenha seca com as mãos.

Mas, pouco tempo depois, esquecido de Deus, entregou-se outra vez à sensualidade. Numa noite em que tinha jantado em casa de um cônego seu colega, tendo lá ficado para dormir, o teto da casa ruiu de repente sobre todos. Os outros escaparam da morte, mas ele não conseguiu e foi esmagado.

Nem devemos admirar que, como disse o santo, tenham acontecido coisas piores que as anteriores, porque devemos ser agradecidos pelos favores recebidos, e um pecado repetido ofende duas vezes mais.