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46. Uma vez São Francisco quis ir a um certo eremitério para se
entregar mais livremente à contemplação, mas estava um bocado
enfraquecido e conseguiu com um homem pobre um jumento para montar.
Era tempo de calor, e o camponês, cansado daquela longa e dura
caminhada subindo atrás do santo, começou a desfalecer de sede antes
de chegarem. Ficando para trás, gritou insistentemente pelo santo e
pediu que tivesse pena dele: disse que ia morrer se não fosse
reanimado com algum pouco de água.
O santo de Deus, que sempre tinha compaixão dos aflitos, desceu
imediatamente do jumento, ajoelhou-se no chão, estendeu as mãos
para o alto e não parou de rezar enquanto não sentiu que tinha sido
atendido. Disse, então, ao camponês: "Vai depressa, que ali
mesmo encontrarás água para beber, produzida neste instante pela
misericórdia de Cristo".
Estupenda bondade de Deus, que tão facilmente se inclina aos rogos
de seus servidores! Um aldeão pôde beber a água que a virtude de um
homem de oração fez brotar da rocha viva. Nesse lugar nunca tinha
havido fonte alguma, nem a puderam encontrar mais tarde, de acordo com
uma escrupulosa pesquisa.
Por que admirar, se este homem, cheio do Espírito Santo, reproduz
em si mesmo os feitos admiráveis de todos os santos? Não nos devemos
surpreender de que uma pessoa unida a Cristo por graças tão
singulares realize prodígios iguais aos que foram operados pelos outros
santos.
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