CAPÍTULO 17. Rezando, tira água de uma pedra e a dá a um aldeão com sede

46. Uma vez São Francisco quis ir a um certo eremitério para se entregar mais livremente à contemplação, mas estava um bocado enfraquecido e conseguiu com um homem pobre um jumento para montar.

Era tempo de calor, e o camponês, cansado daquela longa e dura caminhada subindo atrás do santo, começou a desfalecer de sede antes de chegarem. Ficando para trás, gritou insistentemente pelo santo e pediu que tivesse pena dele: disse que ia morrer se não fosse reanimado com algum pouco de água.

O santo de Deus, que sempre tinha compaixão dos aflitos, desceu imediatamente do jumento, ajoelhou-se no chão, estendeu as mãos para o alto e não parou de rezar enquanto não sentiu que tinha sido atendido. Disse, então, ao camponês: "Vai depressa, que ali mesmo encontrarás água para beber, produzida neste instante pela misericórdia de Cristo".

Estupenda bondade de Deus, que tão facilmente se inclina aos rogos de seus servidores! Um aldeão pôde beber a água que a virtude de um homem de oração fez brotar da rocha viva. Nesse lugar nunca tinha havido fonte alguma, nem a puderam encontrar mais tarde, de acordo com uma escrupulosa pesquisa.

Por que admirar, se este homem, cheio do Espírito Santo, reproduz em si mesmo os feitos admiráveis de todos os santos? Não nos devemos surpreender de que uma pessoa unida a Cristo por graças tão singulares realize prodígios iguais aos que foram operados pelos outros santos.