CAPÍTULO 18. Dá de comer aos passarinhos. Um deles morre por causa de sua avareza

47. Uma vez, São Francisco estava sentado à mesa com os frades quando chegou um casal de passarinhos que ia sempre buscar migalhas para cuidar de seus filhotes. O santo ficou todo contente, fez-lhes carícias como era seu costume e tratou de juntar- lhes o sustento. Certo dia, pai e mãe apresentaram os filhotes aos frades, como que para agradecer por os terem alimentado, entregaram-nos e não apareceram mais.

Os filhotes se acostumaram com os frades e andavam empoleirados em suas mãos,não como hóspedes mas como de casa. Fugiam da presença dos seculares e só se aproximavam dos frades. O santo observou isso admirado e convidou os frades a se alegrarem. "Olhai, disse, o que fizeram nossos irmãos pintarroxos. Até parece que têm razão e disseram: Irmãos, aqui estão nossos filhotes, alimentados com as vossas migalhas. Fazei deles o que quiserdes, que nós vamos para outro ninho". Assim os passarinhos se familiarizaram de uma vez com os frades, e todos tomavam a refeição em comum.

Mas essa harmonia foi quebrada pela voracidade do maiorzinho, que começou a perseguir petulantemente os mais pequenos: comia à vontade e não deixava os outros chegarem perto. Disse o santo pai: "Vede o que está fazendo esse comilão. Mesmo cheio e empanturrado, tem inveja de seus esfomeados irmãozinhos. Ele ainda vai acabar mal". Não demorou muito para se cumprir o que o santo dissera. O perturbador de seus irmãos subiu a um vaso de água para beber, caiu e morreu afogado. E não houve gato ou qualquer outro animal que quisesse comer o passarinho anatematizado pelo santo.

Horroroso mal é o egoísmo dos homens, quando é punido dessa maneira nos pássaros. E também é para temer a condenação dos santos, uma vez que o castigo vaticinado vem com tanta facilidade.