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47. Uma vez, São Francisco estava sentado à mesa com os frades
quando chegou um casal de passarinhos que ia sempre buscar migalhas para
cuidar de seus filhotes. O santo ficou todo contente, fez-lhes
carícias como era seu costume e tratou de juntar- lhes o sustento.
Certo dia, pai e mãe apresentaram os filhotes aos frades, como que
para agradecer por os terem alimentado, entregaram-nos e não
apareceram mais.
Os filhotes se acostumaram com os frades e andavam empoleirados em suas
mãos,não como hóspedes mas como de casa. Fugiam da presença dos
seculares e só se aproximavam dos frades. O santo observou isso
admirado e convidou os frades a se alegrarem. "Olhai, disse, o que
fizeram nossos irmãos pintarroxos. Até parece que têm razão e
disseram: Irmãos, aqui estão nossos filhotes, alimentados com as
vossas migalhas. Fazei deles o que quiserdes, que nós vamos para
outro ninho". Assim os passarinhos se familiarizaram de uma vez com
os frades, e todos tomavam a refeição em comum.
Mas essa harmonia foi quebrada pela voracidade do maiorzinho, que
começou a perseguir petulantemente os mais pequenos: comia à vontade
e não deixava os outros chegarem perto. Disse o santo pai: "Vede o
que está fazendo esse comilão. Mesmo cheio e empanturrado, tem
inveja de seus esfomeados irmãozinhos. Ele ainda vai acabar mal".
Não demorou muito para se cumprir o que o santo dissera. O
perturbador de seus irmãos subiu a um vaso de água para beber, caiu e
morreu afogado. E não houve gato ou qualquer outro animal que
quisesse comer o passarinho anatematizado pelo santo.
Horroroso mal é o egoísmo dos homens, quando é punido dessa maneira
nos pássaros. E também é para temer a condenação dos santos, uma
vez que o castigo vaticinado vem com tanta facilidade.
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