CAPÍTULO 22. O aipo encontrado de noite, entre ervas agrestes

51. Nos últimos tempos de sua doença, teve vontade de comer aipo, tarde da noite, e o pediu com humildade. Chamaram o cozinheiro para que o trouxesse, mas ele disse que não poderia colher nada na horta: "Eu apanho aipos todos os dias, e já cortei tanto, que até de dia mal consigo achar algum. De noite, com a escuridão, nem seria capaz de distinguí-lo das outras ervas".

Mas o santo disse: "Vai, meu irmão, e para não te dar trabalho, traz as primeiras ervas em que puseres as mãos". O frade foi à horta, arrancou as primeiras plantas que encontrou, sem enxergar, e as trouxe para casa. Os frades olharam as ervas do mato e, revirando-as, encontraram entre elas um aipo folhudo e tenro.

O santo comeu um pouquinho e ficou muito confortado. E disse aos irmãos: "Irmãos caríssimos, cumpri as ordens sempre à primeira palavra, sem esperar que sejam repetidas. Não fiqueis pensando na impossibilidade porque, mesmo que eu desse alguma ordem acima das forças, a própria obediência tem suas forças". Até esse ponto o dotara-o o Espírito Santo com o dom da profecia.