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51. Nos últimos tempos de sua doença, teve vontade de comer
aipo, tarde da noite, e o pediu com humildade. Chamaram o cozinheiro
para que o trouxesse, mas ele disse que não poderia colher nada na
horta: "Eu apanho aipos todos os dias, e já cortei tanto, que até
de dia mal consigo achar algum. De noite, com a escuridão, nem
seria capaz de distinguí-lo das outras ervas".
Mas o santo disse: "Vai, meu irmão, e para não te dar trabalho,
traz as primeiras ervas em que puseres as mãos". O frade foi à
horta, arrancou as primeiras plantas que encontrou, sem enxergar, e
as trouxe para casa. Os frades olharam as ervas do mato e,
revirando-as, encontraram entre elas um aipo folhudo e tenro.
O santo comeu um pouquinho e ficou muito confortado. E disse aos
irmãos: "Irmãos caríssimos, cumpri as ordens sempre à primeira
palavra, sem esperar que sejam repetidas. Não fiqueis pensando na
impossibilidade porque, mesmo que eu desse alguma ordem acima das
forças, a própria obediência tem suas forças". Até esse ponto o
dotara-o o Espírito Santo com o dom da profecia.
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