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54. Ninguém deve estranhar que o profeta de nosso tempo gozasse de
tais privilégios. Livre da escuridão das coisas terrenas, não
submisso aos desejos da carne, sua inteligência voava para as alturas
mais sublimes e penetrava na luz com pureza. Iluminado pelos
resplendores da luz eterna, tirava da Palavra eterna o que ressoava em
suas palavras.
Ai, como somos diferentes hoje! Envolvidos nas trevas, nem o
necessário conhecemos! O motivo não é nenhum outro: somos amigos
da carne e estamos também envolvidos no pó dos mundanos. Se
elevássemos nossos corações para os céus junto com as mãos, se
aspirássemos pelas coisas eternas, provavelmente ficaríamos sabendo o
que ignoramos: Deus e nós mesmos. Quem se revira na lama tem que
ver lama; quem puser os olhos no céu não poderá deixar de ver as
coisas celestiais.
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