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37. Alguns dias mais tarde, quando o bem-aventurado pai desceu
daquela cela, disse com voz sofrida aos frades presentes: "Os
habitantes de Perusa fizeram muito mal a seus vizinhos, e seu
coração se exaltou, mas para sua vergonha. Na verdade, a vingança
de Deus está próxima: Ele já está com a mão na espada".
Depois de mais alguns dias, levantou-se afervorado e foi para
Perusa. Os frades puderam concluir que tinha tido alguma visão em
sua cela.
Em Perusa, reuniu o povo e começou a pregar. Mas, como os
cavaleiros estavam fazendo seus exercícios e impediam a palavra de
Deus, o santo se voltou para eles e disse gemendo: "Homens
perversos, dignos de compaixão, que não respeitais nem temeis o
juízo de Deus! Ouvi o que o Senhor vos anuncia por intermédio
deste pobrezinho. O Senhor vos exaltou acima de todos os que estão
ao vosso redor. Justamente por isso deveríeis ser mais bondosos com
os vizinhos e mais agradecidos a Deus. Mas estais sendo ingratos,
atacais os vizinhos à mão armada, matando e saqueando. Eu vos digo
que isso não vai ficar sem vingança, porque Deus, para maior
punição, vai fazer com que enfrenteis uma guerra interna,
levantando-vos uns contra os outros. E a indignação vai instruir
aqueles que a bondade não conseguiu ensinar".
Não demorou muito para se levantar a discórdia entre eles.
Empunharam armas contra os companheiros: o povo se amotinou contra os
cavaleiros e os nobres atacaram os plebeus à espada. Numa palavra,
lutaram com tamanha ferocidade e estrago, que até os vizinhos, a quem
tanto mal tinham feito, ficaram com pena.
Foi um castigo merecido! Afastaram-se daquele que é Uno e Sumo,
e perderam a unidade entre eles mesmos. Não há vínculo que mais una
uma nação do que o fiel amor a Deus, numa fé sincera e sem
fingimento.
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