CAPÍTULO 8. Pregando em Perusa anuncia uma sedição futura e recomenda unidade

37. Alguns dias mais tarde, quando o bem-aventurado pai desceu daquela cela, disse com voz sofrida aos frades presentes: "Os habitantes de Perusa fizeram muito mal a seus vizinhos, e seu coração se exaltou, mas para sua vergonha. Na verdade, a vingança de Deus está próxima: Ele já está com a mão na espada". Depois de mais alguns dias, levantou-se afervorado e foi para Perusa. Os frades puderam concluir que tinha tido alguma visão em sua cela.

Em Perusa, reuniu o povo e começou a pregar. Mas, como os cavaleiros estavam fazendo seus exercícios e impediam a palavra de Deus, o santo se voltou para eles e disse gemendo: "Homens perversos, dignos de compaixão, que não respeitais nem temeis o juízo de Deus! Ouvi o que o Senhor vos anuncia por intermédio deste pobrezinho. O Senhor vos exaltou acima de todos os que estão ao vosso redor. Justamente por isso deveríeis ser mais bondosos com os vizinhos e mais agradecidos a Deus. Mas estais sendo ingratos, atacais os vizinhos à mão armada, matando e saqueando. Eu vos digo que isso não vai ficar sem vingança, porque Deus, para maior punição, vai fazer com que enfrenteis uma guerra interna, levantando-vos uns contra os outros. E a indignação vai instruir aqueles que a bondade não conseguiu ensinar".

Não demorou muito para se levantar a discórdia entre eles. Empunharam armas contra os companheiros: o povo se amotinou contra os cavaleiros e os nobres atacaram os plebeus à espada. Numa palavra, lutaram com tamanha ferocidade e estrago, que até os vizinhos, a quem tanto mal tinham feito, ficaram com pena.

Foi um castigo merecido! Afastaram-se daquele que é Uno e Sumo, e perderam a unidade entre eles mesmos. Não há vínculo que mais una uma nação do que o fiel amor a Deus, numa fé sincera e sem fingimento.