CAPÍTULO 9. Profetiza a uma mulher a conversão do marido

38. Naqueles dias, viajando o servo de Deus para Celle de Cortona, uma nobre dama da aldeia de Volusiano teve conhecimento disso e correu ao seu encontro. Após uma viagem muito cansativa, porque era de compleição muito delicada, acabou chegando ao santo. Percebendo como estava ofegante e exausta, o santo pai ficou com pena e lhe disse: "Que desejais, Senhora?" "Que me abençoeis, pai". E o santo: "Sois casada ou solteira?"

"Pai, respondeu, tenho um marido muito cruel, que me impede de servir a Jesus Cristo. Essa é minha maior dor, porque, por causa de meu marido, não posso cumprir os bons propósitos que o Senhor me inspirou. Por isso, ó santo, eu vos peço que intercedais por ele, para que a misericórdia divina lhe transforme o coração".

Admirado da fortaleza e maturidade de uma mulher tão jovem, o pai teve compaixão e disse: "Vai, filha abençoada. Podes ter a certeza de que bem depressa terás uma consolação por parte de teu marido". E acrescentou: "Diz-lhe, da parte de Deus e da minha, que agora é o tempo de salvação, e depois virá o da justiça".

Tendo recebido a bênção, a mulher foi embora. Quando encontrou o marido e lhe deu o recado, o Espírito Santo desceu de repente sobre ele e o renovou, fazendo com que dissesse com toda a mansidão: "Senhora, vamos servir ao Senhor em nossa casa e salvar nossas almas".

A mulher disse: "Acho que devemos colocar a continência como fundamento de nossa vida espiritual, para edificar sobre ela as outras virtudes".

"Eu também estou de acordo", disse ele.

A partir desse dia viveram como celibatários durante muitos anose tiveram uma morte feliz no mesmo dia, um como o holocausto da manhã e o outro como o sacrifício da tarde.

Feliz mulher que assim conseguiu convencer seu senhor, restituindo-o à vida! Cumpriu-se nela o que foi dito pelo Apóstolo: "O marido infiel é salvo pela mulher fiel". Mas pessoas assim, como se diz comumente hoje em dia, podem contar-se nos dedos.