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38. Naqueles dias, viajando o servo de Deus para Celle de
Cortona, uma nobre dama da aldeia de Volusiano teve conhecimento
disso e correu ao seu encontro. Após uma viagem muito cansativa,
porque era de compleição muito delicada, acabou chegando ao santo.
Percebendo como estava ofegante e exausta, o santo pai ficou com pena
e lhe disse: "Que desejais, Senhora?" "Que me abençoeis,
pai". E o santo: "Sois casada ou solteira?"
"Pai, respondeu, tenho um marido muito cruel, que me impede de
servir a Jesus Cristo. Essa é minha maior dor, porque, por causa
de meu marido, não posso cumprir os bons propósitos que o Senhor me
inspirou. Por isso, ó santo, eu vos peço que intercedais por ele,
para que a misericórdia divina lhe transforme o coração".
Admirado da fortaleza e maturidade de uma mulher tão jovem, o pai
teve compaixão e disse: "Vai, filha abençoada. Podes ter a
certeza de que bem depressa terás uma consolação por parte de teu
marido". E acrescentou: "Diz-lhe, da parte de Deus e da minha,
que agora é o tempo de salvação, e depois virá o da justiça".
Tendo recebido a bênção, a mulher foi embora. Quando encontrou o
marido e lhe deu o recado, o Espírito Santo desceu de repente sobre
ele e o renovou, fazendo com que dissesse com toda a mansidão:
"Senhora, vamos servir ao Senhor em nossa casa e salvar nossas
almas".
A mulher disse: "Acho que devemos colocar a continência como
fundamento de nossa vida espiritual, para edificar sobre ela as outras
virtudes".
"Eu também estou de acordo", disse ele.
A partir desse dia viveram como celibatários durante muitos anose
tiveram uma morte feliz no mesmo dia, um como o holocausto da manhã e
o outro como o sacrifício da tarde.
Feliz mulher que assim conseguiu convencer seu senhor, restituindo-o
à vida! Cumpriu-se nela o que foi dito pelo Apóstolo: "O marido
infiel é salvo pela mulher fiel". Mas pessoas assim, como se diz
comumente hoje em dia, podem contar-se nos dedos.
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