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55. Enquanto viveu neste vale de lágrimas, o santo pai desprezou
as míseras riquezas dos filhos dos homens e, ambicionando a mais alta
glória, dedicou-se de todo coração à pobreza.
Vendo que era estimada pelo Filho de Deus e estava sendo desprezada
por toda a terra, quis desposá-la com um amor eterno. Apaixonado
por sua beleza e querendo unir-se mais estreitamente a sua esposa,
como se fossem dois em um só espírito, abandonou não só pai e mãe
mas tudo. Abraçou-a por isso em ternos abraços e não quis deixar
de ser seu esposo em nenhum momento. Dizia a seus filhos que ela era o
caminho da perfeição, o penhor e a garantia das riquezas eternas.
Jamais houve alguém tão ambicioso de ouro quanto ele de pobreza, e
nunca houve guarda mais cuidadoso de um tesouro do que ele o foi da
pérola evangélica. O que mais o ofendia era ver, dentro ou fora de
casa, alguma coisa nos frades que fosse contrária à pobreza. Desde
sua entrada na Ordem até à morte, sua única riqueza foram uma
túnica, o cordão e as calças. Sua roupa pobre mostrava que
riquezas estava amontoando. Por isso, alegre, seguro e livre para
correr, tinha o prazer de ter trocado as riquezas que perecem pelo
cêntuplo.
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