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61. Num dia de Páscoa, os frades prepararam no eremitério de
Gréccio uma mesa mais bonita, com toalhas brancas e copos de vidro.
Quando o santo pai desceu de sua cela e foi para a mesa, viu-a
arrumada em lugar elevado e ostentosamente enfeitada: toda ela ria,
mas ele não sorriu.
Às escondidas e devagarinho, saiu, pôs na cabeça o chapéu de um
pobre que lá estava, tomou um bordão e foi para fora. Esperou à
porta até que os frades começaram a comer, porque estavam acostumados
a não esperá-lo quando não vinha ao sinal.
Quando iniciaram o almoço, clamou à porta como um pobre de verdade:
"Uma esmola, por amor de Deus, para um peregrino pobre e doente".
Os frades responderam: "Entra, homem, pelo amor daquele que
invocaste".
Entrou logo e se apresentou aos comensais. Que espanto provocou esse
peregrino! Deram-lhe uma escudela, e ele se sentou à parte, pondo
o prato na cinza. E disse: "Agora estou sentado como um frade
menor". Dirigindo-se aos irmãos, disse: "Mais do que os outros
religiosos, devemos deixar-nos levar pela pobreza do Filho de Deus.
Vi a mesa preparada e enfeitada, e vi que não era de pobres que pedem
esmola de porta em porta".
O fato demonstra que ele era semelhante àquele outro peregrino que
ficou sozinho em Jerusalém nesse mesmo dia de Páscoa. Mas, quando
falou, deixou abrasado o coração de seus discípulos.
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