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Um modo de explorar os casos Giordano Bruno e Galilei, consiste em
despertar a compaixão do leitor com os sábios, "tão cruelmente
tratados" pelo Tribunal da Inquisição. Convém aqui indagar sobre
o valor desta acusação.
Já vimos com quanta moderação e atenção foi tratado Galilei.
Mas que pensar da morte horrenda de Giordano Bruno?
Nos tempos da Idade Média e ainda nos modernos não se considerava
suficiente a simples condenação à forca . e degolação para impedir
e vingar crimes qualificados. A execução horrenda pelo fogo era
praticada em todos os países, por todos os governos. Muitas vezes
faltava a devida moderação. O que distinguia o estado pontifício e
em geral as regiões católicas, era precisamente a moderação, a
brandura com que se procedia, e o número reduzido de condenações à
pena máxima, feitas sempre depois de processos justos. Como se pode
acusar de cruel um tribunal que segue a praxe do tempo, mas a aplica
com tanta brandura que perdoava a pena máxima àqueles que se mostravam
arrependidos? A Giodarno Bruno ainda se concederam oito dias depois
da sentença, para ele se converter e ser perdoado.
A acusação de Flammarion não corresponde à verdade histórica.
Mas não é calúnia o que vamos aqui contar da pátria do mesmo
astrônomo francês.
Em 1307, Filipe IV, o Belo, cobiçou os ricos bens da Ordem
dos Templários. Em 12 de Outubro daquele ano, o rei fingido
distinguiu o grão-mestre Jacob de Molay com grandes honras e no dia
seguinte o lançou repentinamente na prisão com todos os cavaleiros,
membros da ordem na França. Inventaram-se inauditas acusações
contra a Ordem. 54 cavaleiros que se prontificaram a testemunhar
pela inocência da Ordem foram queimados vivos em Paris. Em todos os
casos (p. ex. fora da França) onde não foi aplicada a tortura,
ficou, patente a inocência dos cavaleiros. O Papa protestou, mas
em geral mostrou-se fraco e aboliu a Ordem. A 13-3-1314 o
rei mandou queimar vivo também o grão-mestre.
A Europa tem a triste honra de ter sido inúmeras vezes cenário de
execuções horrorosas dos assim chamados bruxos ou bruxas. Processos
contra os bruxos tinham lugar na Alemanha, França, Inglaterra,
Itália, Suíça. O maior número se verificou nos países
protestantes, o menor em Roma, onde se perdoava aos arrependidos.
Bastava quase uma velha ter face enrugada e caráter insuportável para
ser acusada e executada. No Ródano superior, região que mais tarde
se incorporou à Suíça, com o nome de Cantão do Vale, foram
queimadas 200 vítimas só no ano de 1428. Em Genebra, sob os
olhos do tirânico Calvino, eram maltratados os bruxos com torturas
horrendas.
Na Inglaterra da rainha Isabel foram torturados e executados centenas
de padres e leigos católicos só por terem ficado fiéis à sua fé.
Hoje presenciamos, atrás da cortina de ferro, a prisão tortura,
execução de milhões de inocentes. Em face de tantas injustiças e
crueldades, como se apresenta gloriosa a Igreja Católica, contra a
qual os inimigos só sabem alegar a condenação de Galilei, e feita
esta não por malícia mas por mero engano!
Resta ainda prevenir o prezado leitor contra um livro que,
infelizmente, se traduziu para o nosso vernáculo. Ele se encontra em
muitas mãos e convém dar uma apreciação.
O húngaro Zsolt Harsanyi descreveu a vida de Galilei em forma de
romance. O livro não merece estima; será que foi escrito por
instigação comunista? Conta muitos escândalos, sendo a leitura
repelente para uma pessoa de sentimentos elevados. Em questão de
física o autor mostra-se incompetente, torna-se confuso e
ininteligível. Em inúmeros lugares é atacada e caluniada a Igreja
Católica, geralmente de um modo quase imperceptível e pérfido. Em
particular o processo de Galilei está descrito aleivosamente, com
evidente má vontade. Um católico, conhecedor da verdade
histórica, sente-se enojado de ver assim vilmente caluniadas pessoas
dignas de toda a estima.
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