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23. Mas Deus acolhe benignamente e atende as orações que amparadas pela intercessão dos
Santos, devotamente lhe erguemos para torná-lo propício à sua Igreja; seja quando para a sua
Igreja pedimos os bens mais altos e eternos, seja quando pedimos bens importantes e
temporais, mas, em todo caso, úteis àqueles. Com efeito, a tais orações adita valor e imensa
eficácia, com suas orações e seus méritos, Nosso Senhor Jesus Cristo, que "amou a Igreja e
deu-se a si mesmo por ela, com o fim de santificá-la... para fazer aparecer diante de Si
mesmo, gloriosa, a Igreja" (Ef 5, 25-27); Ele que lhe é o Pontífice supremo, santo, inocente,
"sempre estando vivo, para poder interceder por nós"; Ele que, nas suas orações e súplicas -
cremo-lo por fé divina - sempre consegue o seu intento.
24. Portanto, no que diz respeito aos interesses da Igreja, é sabido que as mais das vezes ela
deve lutar com adversários formidáveis por ódio e poder; e sobejas vezes deve ela doer-se
de que pelos seus inimigos lhe sejam arrancados os seus bens, limitada e oprimida a sua
liberdade, atacada e desprezada a sua autoridade, e, em suma, infligidos danos e violências
de todo gênero. E, se nos perguntarem por que razão a maldade destes não chega ao cúmulo
de injustiça que eles se propõem e se esforçam por atingir, e, de outra parte, por que razão a
Igreja, mesmo no meio de tantas vicissitudes, refulge sempre, conquanto de modos diversos,
da mesma grandeza e da mesma glória, e continua a progredir, justo é atribuir á verdadeira
causa de um e de outro fato ao poder da oração unânime da Igreja; não podendo
humanamente explicar-se como a iniquidade, mesmo tão descarada, seja contida dentro de
limites tão estreitos ao passo que a Igreja, embora mantida em opressão, alcança sem
embargo, tão esplêndidos triunfos. E isto aparece ainda mais evidente no campo desses bens
de que a Igreja se serve para conduzir os homens à posse do bem supremo. Visto haver ela
nascido justamente para esta missão, a sua oração deve ter uma grande eficácia em obter que
se cumpra perfeitamente sobre os homens o desígnio da providência e misericórdia de Deus;
de modo que, quando os homens oram com a Igreja e por meio da Igreja, em definitivo
impetram e obtêm aquilo que "desde a eternidade Deus onipotente dispusera conceder" (S.
Tomás, II-II, q. 83, a. 2: de S. Greg. Magno).
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