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25. Neste mundo a mente humana falha em face dos excelsos planos da Divina Providência;
mas dia virá em que o próprio Deus, na sua grande bondade, nos manifestará as causas e o
enredo dos acontecimentos; e então aparecerá claramente que poderosa eficácia de
impetração teve nesta ordem de coisas o dever da oração. Então ver-se-á que foi justamente
por virtude da oração que muitos, mesmo em meio à grande corrupção do mundo depravado,
se conservaram puros e isentos "de toda contaminação de carne e de espírito, realizando a
santificação no temor de Deus" (2 Cor, 7, 1); que outros, quando estavam a ponto de ceder
ao mal, não somente se contiveram, mas do perigo e da tentação tiraram um acréscimo de
virtude; que outros, já derrubados, por um estímulo interior foram impelidos a levantar-se e
a lançar-se no amplexo de Deus misericordioso.
26. Por isto Nós conjuramos todos a quererem meditar atentamente estas verdades; a não se
deixarem seduzir pelos ardis do antigo inimigo; a nunca abandonarem, por motivo algum, a
prática da oração; antes os exortamos a perseverarem nela, sem nunca se cansarem. E, em
primeiro lugar, lembrem-se de implorar o mais alto de todos os bens: a salvação eterna de
todos, e a incolumidade da Igreja. Depois disto poderão invocar de Deus os outros bens que
concernem à prosperidade temporal; contanto que sejam resignados à sua justíssima vontade,
e que, atendidos ou não nas suas orações, saibam render-Lhe graças como ao mais benfazejo
dos pais. Por último, recomendamo-lhes orarem com esse espírito de religião e de piedade
que sempre convém quando se trata com Deus: como costumavam fazer os Santos, e como
fazia o nosso próprio Redentor e Mestre, "com fortes gritos e lágrimas" (Heb 5, 7).
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