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29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o
mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus
costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é
preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque
assim também se tem o mérito da virtude. Além disto, já que nós todos estamos unidos e
vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal
como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros
membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros
irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu
poder, cuidar da cura deles; "os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se
um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os
membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois
membros deste" (1 Cor 12,25-27).
Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus
Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está esse grande
vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus.
30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que
qualquer um desde que animado de piedade e de boa vontade pode praticá-lo com muita
freqüência e sem esforço excessivo.
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