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8. Este grande ensinamento do cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos
cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava
iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com
maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus.
9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de
ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de
toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura
morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas
não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha
a Sagrada Escritura, a .Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: "Mas a Igreja
fazia a Deus contínuas preces por ele" (At 12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho
da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela
desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo
cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S.
Pedro.
10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá-no-lo o próprio Cristo, que se
propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas
também com a sua vida. Durante e curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e
longamente à oração. Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua
alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não
somente orava, porém "orava mais intensamente" (Lc 22, 43). E isto Ele fez não para si
mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa
vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então
Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça.
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