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11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero
humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída
dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este
novo povo uma ordem nova.
12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O
Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e
portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a
este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada
para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a
célebre e veracíssima sentença do Aquinate: "Por meio da Anunciação aguardava-se o
consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana" (S.
Tomás, 3, q. 30, a. 1). Por conseqüência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por
divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo -
sabe-se que "a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo" (Jo 1, 17), - senão por meio de
Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio
do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio
de sua Mãe.
13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência!
Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita
bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita
justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que
por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-lo no
seu caráter de juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados,
precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau
do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu
patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na
divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.
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