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15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo
com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos
Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da
Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo
quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com
grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão. Sem uma fé divina
não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o
vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e no
auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a
nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas
preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança,
por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós,
indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe
Santíssima. Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos,
outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria:
antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração
por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo
e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.
16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos
os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar
insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para
que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos
pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente,
supliquemos a Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe nossa: "Mostra-te nossa Mãe, e por meio
de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido para nós, quis ser teu Filho" (Da sagrada
liturgia).
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