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4. Difícil é, pois, dizer o quanto se torna agradável a Maria o nosso obséquio, quando a
saudamos com louvor do Anjo, e depois repetimos o mesmo elogio, como que formando com
ele uma devota coroa. Porque, a cada vez, nós como que despertamos nela a lembrança da
sua sublime dignidade e da redenção do gênero humano, iniciada por Deus par meio dela:
por conseqüência, nós também lhe recordamos esse divino e indissolúvel vínculo com que
ela está unida às alegrias e às dores, às humilhações e aos triunfos de Cristo, em guiar e em
assistir os homens para a salvação eterna. Jesus Cristo, na sua bondade, quis assemelhar-se a
nós e dizer-se e mostrar-se filho do homem, e por isto nosso irmão, a fim de que mais
luminosa nos aparecesse a sua misericórdia para conosco: "Em tudo ele teve de ser feito
semelhante a seus irmãos, para se tornar misericordioso" (Heb 2, 17). Assim Maria, pelo
fato de haver sido escolhida como Mãe de Jesus, Nosso Senhor - que é ao mesmo tempo
nosso irmão - teve, entre todas as mães, a singular missão de manifestar e de derramar sobre
nós a sua misericórdia. Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver,
de certo modo, tornado participantes do seu próprio direito de chama r e de ter a Deus por
pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado
participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe. E, visto como, por natureza, o
nome de mãe é entre todos o mais doce, e no nome de mãe está posto o termo de comparação
de todo amor terno e solícito, todas as almas piedosas sentem - embora a sua língua não
consiga exprimi-lo - que uma imensa chama de amor condescendente e operoso arde em
Maria, que, não por natureza, mas por vontade de Cristo, é nossa Mãe. Por isto ela vê e
penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: as necessidades da
nossa vida; os perigos públicos e particulares que nos ameaçam; as dificuldades e os mates
em que nos debatemos; e sobretudo a áspera luta que devemos sustentar para a salvação da
alma, contra inimigos violentíssimos. E nestas, como em todas as outras angústias da vida,
mais do que qualquer outro ela pode e deseja trazer a seus caríssimos filhos consolação,
força, auxílio de todo gênero. Recorramos, pois, confiantes e alegres a Maria. Supliquemo-la
por esses laços maternos com que ela está tão estreitamente unida a Jesus e a nós. E
invoquemos com máxima devoção o seu poderoso auxílio, servindo-nos dessa fórmula de
oração que ela mesma nos indicou e que lhe é tão grata. Então poderemos, com razão,
repousar com coração tranqüilo e alegre sob a proteção da mais terna entre as mães.
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