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9. Por Nossa parte, ratificamos e confirmamos os favores das sagradas Indulgências
concedidas nos anos precedentes àqueles que, de acordo com as prescrições estabelecidas,
bem cumprirem a piedosa prática do mês de Outubro. Muito contamos, pois, Veneráveis
Irmãos, com a vossa autoridade e com o vosso zelo, a fim de que, também este ano, seja
ardente entre o povo católico o fervor e a santa emulação em honrar com o Rosário a
Virgem, Auxiliadora dos cristãos. E agora apraz-nos concluir a Nossa exortação tornando ao
motivo inicial. Isto é, queremos de novo e mais claramente atestar o nosso reconhecimento
pelos benefícios recebidos da Virgem Santíssima, e a Nossa alegria e esperança nela. E,
depois, ao povo cristão, devotamente prostrado ante os altares de Maria, pedimos rezar pela
Igreja, agitada por tão adversas e tempestuosas vicissitudes, e ao mesmo tempo rezar
também por Nós, que, em idade tão avançada, cansado pelos trabalhos, a braços com as mais
graves dificuldades, e privado de todo socorro humano, governamos o leme da mesma
Igreja. Sim, a Nossa esperança em Maria, Mãe poderosa e terníssima, torna-se em Nós cada
dia mais segura e mais consoladora. E, enquanto à sua intercessão atribuímos todos os
numerosos e assinalados benefícios que Deus nos tem concedido, com particular gratidão lhe
atribuímos o de podermos, dentro em não muito, atingir o qüinquagésimo aniversário da
Nossa ordenação episcopal. Bem considerando, é deveras um grande benefício um tão longo
período de ministério pastoral; mas o é sobretudo o havermo-nos podido dedicar, no meio
de preocupações quotidianas, a guiar todo o rebanho cristão. Durante este tempo, na Nossa
vida como na de todos os homens, como também nos mistérios de Cristo e de sua Mãe, não
faltaram nem motivos de alegria, nem - mais freqüentemente - graves motivos de dor, nem, às
vezes, motivos de alegre complacência, em Cristo. Coisas estas todas que Nós, com espírito
de humildade diante de Deus e com gratidão, nos temos , aplicado a fazer reverter em bem e
em honra da Igreja. E agora, visto que o resto da vida não será diverso, se novas alegrias
resplenderem, se novas dores sobrevierem, se algum raio de glória brilhar, Nós
perseveraremos nas mesmas intenções e nos mesmos sentimentos. E, nada mais invocando de
Deus senão a glória celeste, repetiremos com alegria as palavras de David: "Seja bendito o
nome do Senhor; não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Salmos 112, 2;
113, 1). De Nossos filhos, pois, tão devotos e tão afeiçoados, antes que felicitações e
louvores ardentemente esperamos que elevem a Deus vivíssimas ações de graças, orações e
votos. Contentíssimos ficaremos se eles nos obtiverem que esse pouco de vida e de forças
que nos resta, o que temos de autoridade e de prestígio, possamos despendê-lo unicamente
para o bem da Igreja; e, antes de tudo, para lhe reconduzir ao seio e reconciliar consigo os
inimigos e os transviados, os quais a Nossa voz desde tanto tempo convida. Que da Nossa
próxima alegria jubilar - se a Deus aprouver darno-la -possam todos os Nossos diletíssimos
filhos recolher abundantes frutos de justiça, de paz, de prosperidade, de santidade, de todos
os bens. E isto que, com paternal amor, solicitamos de Deus, enquanto lhes recordamos estes
seus santos avisos: "Escutai-me... e crescei como rosa plantada à beira das águas. Como
incenso, exalai perfume suave. Fazei brotar flores como o lírio, e espalhai odor, e
recobri-vos de amenas frondes. E cantai um cântico de louvor, e bendizei o Senhor por todas
as suas obras. Dai glória ao seu nome, e louvai-o com o som dos vossos lábios e com os
cantos dos lábios e com as cítaras... Com todo o coração e com toda a voz louvai e bendizei
o nome do Senhor” (Ecli 39, 13 - 20, 41).
10. Se estas exortações e estes votos encontrarem o escárnio dos homens perversos, que
blasfemam tudo o que ignoram, perdoe Deus benignamente esses infelizes. De Nossa parte
Lhe rogamos, pela intercessão da Rainha do santíssimo Rosário, dignar-se de favorecer com
sua graça exortações e votos. Vós, pois, Veneráveis Irmãos, em auspício de tal graça e como
penhor da Nossa benevolência, recebei, nesse ínterim, a Bênção Apostólica, que com vivo
afeto, no Senhor, concedemos a cada um de vós, ao vosso clero e ao vosso povo.
Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 8 de Setembro de 1892, décimo quinto ano do Nosso
Pontificado.
LEÃO PP. XIII.
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