|
9. O segundo mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre
mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por
todos os meios as adversidades. De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como
deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e
suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da
sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.
Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que,
mesmo quando não se arruinam totalmente, ficam, sem embargo, tão enervados, que primeiro
cedem vergonhosamente em face dos males da vida, e depois sucumbem miseravelmente.
|
|