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15. A este perigo não estará exposto aquele que, rezando o santo Rosário, meditar com
atenção e com freqüência as verdades contidas nos mistérios gloriosos. Desses mistérios,
com efeito, brilha na mente dos cristãos uma luz tão viva, que nos faz descobrir aqueles bens
que o nosso olho humano nunca poderia perceber, mas que Deus - assim o cremos com fé
inabalável - preparou "para aqueles que o amam". Deles aprendemos, além disto, que a
morte não é um esfacelamento que tudo perde e destrói, mas sim uma simples passagem e
uma mudança de vida. Aprendemos que o caminho do céu está aberto a todos; e, quando
observamos Cristo que volta ao Céu, recordamos a sua bela promessa: "Vou preparar-vos o
lugar". Aprendemos que haverá um tempo em que "Deus enxugará toda lágrima dos nossos
olhos; em que não haverá mais nem lutos, nem pranto, nem dor, mas estaremos sempre com o
Senhor, semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é, bebendo na torrente das suas
delícias, concidadãos dos santos", em feliz união com a grande Mãe e Rainha.
16. Uma alma que se nutra destas verdades deverá necessariamente inflamar-se delas e
repetir a frase de um grande. Santo: "Oh! como me parece sórdida a terra quando olho o
Céu"; deverá necessariamente alegrar-se ao pensamento de que "um instante de um leve
sofrimento nosso produz em nós uma medida eterna de glória". E, verdadeiramente, só aqui
está o segredo de harmonizar o tempo com a eternidade, a cidade terrena com a celeste, e de
formar caracteres fortes e generosos. E se estes se tornarem muito numerosos, sem dúvida
estará com isso consolidada a dignidade e a grandeza do Estado; e florescerá tudo o que é
verdadeiro, tudo o que é bom, tudo o que é belo; florescerá em harmonia com aquela norma
que é o sumo princípio e a fonte inexaurível de toda verdade, de toda bondade e de toda
beleza.
17. Ora, quem não vê a verdade disso que havemos observado desde o princípio, isto é, de
que preciosos bens é fecundo o santo Rosário? O quanto ele é maravilhosamente eficaz em
curar os males dos nossos tempos, e em opor um dique aos gravíssimos males da sociedade?
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