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16. E, pois que a insensata perversidade dos ímpios a tudo já agora recorre - com o dolo e
com a audácia - para provocar a cólera divina e atrair sobre a pátria o peso de um justo
castigo, necessário é que a piedosa prática do Rosário seja seguida com sempre maior
empenho. Além disto, todos os bons sofrem conosco, porque no próprio seio dos povos
católicos há muitos que, satisfeitos de se regozijar com as ofensas de qualquer modo feitas à
religião, eles mesmos, fortes de uma incrível licença de propaganda, mostram não ter em
mira outra coisa senão expor ao desprezo e ao escárnio do povo as coisas mais santas da
religião e sua experimentada confiança na intercessão da Virgem. Nestes últimos meses,
pois, não se tem poupado nem sequer a augustíssima pessoa de Jesus Cristo Salvador. Não
se tem tido pejo de apoderar-se dela para os atrativos do palco, já agora sobejamente
contaminado de infâmias, e de representamo-la despojada da majestade da sua natureza
divina; sem a qual necessariamente rui o próprio fundamento da redenção do gênero humano.
E levou-se ao cúmulo a afronta quando se quis reabilitar da infâmia dos séculos o homem
réu da criminosa perfídia que a história tem estigmatizado como a mais abominável e a mais
monstruosa: o traidor de Cristo.
17. Ante tais excessos, cometidos ou em via de sê-lo pelas cidades da Itália, tem-se
levantado um brado geral de indignação e um enérgico protesto pela violação dos
sacrossantos direitos da religião, naquela nação que justamente considera sua precípua
ufania o ser católica. Ante tais excessos, como era natural, levantou-se a vigilante solicitude
dos bispos, que apresentaram justíssimas recriminações àqueles que têm o inalienável dever
de tutelar a honra da religião pátria; e não só têm avisado os seus rebanhos da gravidade do
perigo, mas os têm exortado também a especiais atos de reparação da ímpia ofensa lançada
contra o amorosíssimo Autor da nossa salvação. Nós temos apreciado imensamente as
múltiplas e notáveis demonstrações de zelo dadas pelos bons nestas circunstâncias, e delas
temos haurido um vivo conforto para a Nossa alma, profundamente ferida. Mas, dado que
temos ocasião de falar, não podemos abafar a voz do Nosso altíssimo ministério. E por isto
falamos, para ajuntar o Nosso mais enérgico protesto aos já levantados pelos bispos e pelos
fiéis.
18. Mas, enquanto lamentamos e detestamos esse sacrílego crime, com o mesmo ardor do
Nosso ânimo apostólico dirigimos uma cálida exortação a todos os cristãos, mas
particularmente aos Italianos, para que guardem intacta, defendem estrenuamente e continuem
a alimentar com obras honestas e piedosas essa fé avoenga que constitui a sua herança mais
preciosa.
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