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7. Finalmente, nos mistérios gloriosos, que seguem os dolorosos, é mais copiosamente
confirmado este mesmo misericordioso ofício da Virgem excelsa. Com tácita alegria ela
saboreia a glória do Filho triunfante sobre a morte; segue-o depois com maternal afeto na sua
volta à sede celeste. Mas, conquanto digna do Céu, ela é mantida na terra, como suprema
consoladora e mestra da Igreja nascente; "ela penetrou, além de tudo o que se possa crer, nos
profundos arcanos da sabedoria divina" (S. Bernardo, De Praerogativis B. M. V., n. 3). E,
pois que a obra santa da redenção dos homens não podia dizer-se completa antes da descida
do Espírito Santo, prometido por Cristo, eis que a vemos lá naquele Cenáculo cheio de
recordações, a orar-lhe, juntamente com os Apóstolos e em vantagem dos Apóstolos, com
gemidos inenarráveis; a apressar para a Igreja a sabedoria do Espírito consolador, supremo
dom de Cristo, tesouro que nunca lhe faltará. Porém em medida ainda mais cheia e perene
poderá ela advogar a nossa causa quando tiver passado à vida imortal. E, assim, deste vale
de lágrimas vemo-la assunta à cidade santa de Jerusalém, por entre as festas dos coros
angélicos; veneramo-la elevada acima da glória de todos os Santos, coroada de estrelas por
seu divino Filho, sentada junto d'Ele, rainha e senhora do universo. Em todos estes mistérios,
ó Veneráveis Irmãos, se tão bem se manifesta "o desígnio de Deus, desígnio de sabedoria e
desígnio de misericórdia" (S. Bernardo, Sermo in Nativitate B. M. V., n. 6), não menos
claramente brilhai ao mesmo tempo os grandíssimos benefícios da Virgem Mãe para
conosco: benefícios que não podem deixar de nos encher de alegria, porque nos infundem a
firme esperança de obtermos, pela mediação de Maria, a clemência e a misericórdia de
Deus.
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